DAVIDMARREIROS@FACULDADEBELASARTESUNIVERSIDADEPORTO



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23.12.07

MI.PROJ_02

MEDIA I . PROJECTO 02 - REAL & FICÇÃO
19.12.07

A PROPOSTA

Pretende-se que o discente registe duas séries fotográficas – Real & Ficção — e posteriormente amplie o melhor resultado de cada uma delas. As provas finais deverão reflectir com máximo rigor t
odos os processos que caracterizam a prática da fotografia analógica (P&B): tema, tempo, movimento, composição, iluminação, textura, tonalidade, revelação e, por fim, ampliação. Parte 1 – Real . Parte da intenção deste projecto é questionar a importância da fotografia que se insere numa corrente fotográfica — Straight Photography — sustentada pela ideia de um único registo num único momento, a veracidade do ter estado lá associada ao instante decisivo, como definido por Henri Cartier-Bresson.
Parte 2 – Ficção . Por outro lado, e por oposição a essa corrente da verdade, existe a encenação, a falsa verdade. Nesta fase espera-se obter um resultado que, livre do acontecimento que aposta na semelhança e no verdadeiro, explore a ficção, uma possibilidade fotográfica que motivou vários movimentos artísticos.

from http://www.darkroom-media1.blogspot.com/

O RESULTADO
Inicialmente, tenho de r
eferir o agradável sentimento de voltar a trabalhar com analógico. É um processo completamente diferente, muito mais moroso e trabalhoso, mas simultaneamente muito mais recompensador. Talvez por isso tenha utilizado 4 rolos fotográficos e fotografado compulsivamente com uma máquina que adorei: Nikon FM2. Aqui estão as provas de contacto das fotografias obtidas:































Após um complicado processo de escolha da fotografia ideal tanto para o real como para a ficção, aqui estão os resultados:

The Others

Real . Esta foi mesmo nesta fotografia que disse: “Esta é A Fotografia.” Curiosamente pertencia ao meu quarto e último rolo, que por acaso até se estragou ligeiramente na revelação (a parte inferior do rolo não revelou correctamente), mas por vezes o azar resulta em sorte. Momento registado na Rua de Santa Catarina, a fotografia apresenta apenas um homem no lado direito da imagem que olha naturalmente para algo fora da fotografia. Todo o resto do ambiente movimentado da rua encontra-se desfocado e em segundo plano. Uma senhora no lado oposto ao do representado no plano principal parece aproximar-se e estabelecer uma relação com este; apesar de aparentemente supérfluo esta senhora é um elemento muito vital para toda a composição. O tal erro bem sucedido do rolo mal revelado, proporcionou à imagem um ligeiro fade inferior a negro que contrasta com a parte superior a branco. Porém, não consigo verbalizar correctamente o que penso quanto a este registo, apenas acho que a sua normalidade altamente natural possui algo, algum sentimento, alguma aura (talvez ligeiramente mística, fantasmagórica e etérea, possivelmente acentuada pelo tal contraste entre o negro inferior e o branco superior, que pode ser mesmo identificado simbolicamente com o terreno e o divino, como se o personagem representado fosse como um anjo caído na terra…) que o torna em algo quase surreal e estranho, talvez quase a tocar no ficcionado. Porém foi mesmo fruto do acaso, do real, o que me levou também a confirmar a minha preferência por este tipo de registo.

Weak and Powerless

Ficção . O meu objectivo inicial era criar uma imagem o mais “camuflada” possível, ou seja, criar uma imagem ficcionada que se confundisse com a realidade. O tema fotografado foi uma cena de um assalto, ideia surgida após visualizar a expressão de medo, impotência e terror de uma colega minha aquando de um grande susto. O meu objectivo foi mesmo representar essa expressão, objectivo que acho que foi alcançado. Apesar de o tema da fotografia ser algo difícil de ser captado na realidade, a tempo real, o desfoque subtil que cobre toda a fotografia demonstra uma certa urgência do fotógrafo para captar um instante tão fugaz como aquele, factor que torna esta encenação mais real. Também o enquadramento bem fechado, no qual as personagens quase não cabem também demonstra essa mesma urgência.

Estas foram as escolhidas, mas muitas outras eram do meu agrado. Aqui estão mais duas fotografias que revelei:














Desculpem a larga explicação, :D

Comentem,

PS.: Obrigado Nuno e Isabel por terem sido os meus modelos. São uns bacanos. :D. Foram realmente muito bons. Fiquem bem. :D (Desculpa, Isabel, pelo susto, o real, que te tinha pregado, mas ele sempre deu origem a estas fotografias… :D)

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